Missa Dominical
2026
A performance é concebida como uma cerimônia devocional dedicada a uma deusa fictícia. A ação se desenvolve por meio da apropriação simbólica de estruturas litúrgicas, gestos rituais e fórmulas cerimoniais provenientes de diferentes tradições religiosas, reorganizados em uma liturgia ficcional que não pertence a nenhuma crença específica. Ao reunir elementos reconhecíveis de práticas de culto, a obra investiga os mecanismos simbólicos que produzem experiências de fé, pertencimento e sacralidade, transformando o espaço expositivo em um local de veneração temporária. Entre devoção e encenação, Missa Dominical propõe uma reflexão sobre a construção cultural do sagrado e sobre a persistência dos rituais como formas de atribuir significado ao mundo.
Casulo
2022
O trabalho Casulo se resume em uma ação onde a artista convida pessoas para serem suas modelos para a confecção rápida de um molde feito a partir de plástico e fita adesiva.
Os materiais são envoltos em torno do corpo, formando uma película que depois é removida e remendada, moldando uma espécie de casulo.
Estes casulos vão sendo pendurados e dando origem à uma instalação que cresce gradativamente conforme a ação se repete com a chegada de novas pessoas voluntárias.
Ao se depararem com os moldes, as pessoas conseguem através desse artifício, ter uma outra percepção sobre seus próprios corpos. Quando um molde é colocado junto aos outros, eles se misturam e se perdem naquele efeito cristalizado que a fita e os plásticos, por serem transparentes, causam no olhar ao ver um aglomerado de casulos humanos, fazendo com que todos tenham uma aparência quase unânime. A cor e a forma desses corpos se tornam praticamente inexistentes a partir dessa projeção.
DESAMAR.rar
2016
A performance foi realizada em Outubro de 2016 no Rio de Janeiro, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, na coletiva “Qual é o seu Link?”, com curadoria de Lúcia Avancini e Marilou Winograd.
Na ação, trajando roupas brancas, artista se posiciona ao lado de um balde com um rolo de barbante vermelho mergulhado em sangue, quando começa a passar o barbante por seu corpo, enrolando a linha por suas pernas até o tronco como um processo de mumificação, até que o branco de suas vestes se reduz cada vez mais envolvido pelo vermelho contrastante. Em algum momento da performance, a artista se livra destas amarras, arrebentando e cortando-as com uma tesoura, se despindo de suas roupas, rasgando-as como forma de simbolizar uma troca de pele, um processo de cicatrização.
O nome “Desamar.rar” brinca com as possíveis leituras do título como desamarrar ou desamar. A última sílaba “rar” separada por um ponto (.) transforma a palavra como se fosse um formato de um arquivo de internet compactado. Onde para se ter acesso ao conteúdo do arquivo, é necessário descompactá-lo.
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